Medicamentos

 

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José Geraldo de Freitas Drumond
Medicamentos perigosos
 

 


No ano de 2004, somente nos Estados Unidos da América havia mais de 33 mil nomes de medicamentos de marca registrada e 8 mil nomes comuns, enquanto no mercado canadense se estimavam 24 mil produtos médicos terapêuticos em circulação. 
A partir desta constatação, o Instituto para o Uso Seguro dos Medicamentos (ISMP) publicou uma lista de oito páginas com pares de nomes de medicamentos que efetivamente se encontram envolvidos em erros de medicação. 
A existência de nomes confusos de medicamentos é uma das causas mais comuns de erro de medicação e uma preocupação dos sistemas de saúde em todo o mundo.
São dezenas de milhares de medicamentos atualmente no mercado, que representam um potencial de erros por causa de nomes confusos dos medicamentos. Isto inclui denominações comuns e especiais (marcas registradas ou nomes comerciais). Muitos medicamentos têm aspecto ou nomes parecidos a outros medicamentos.
Contribuem com esta confusão a caligrafia ilegível, o conhecimento incompleto dos nomes dos medicamentos, os produtos novos no mercado, as embalagens ou etiquetas similares, o uso clínico similar, as concentrações similares, os tipos de dose, a frequência de administração, a falta de reconhecimento por parte de fabricantes e organismos de regulamentação do potencial de erro e a falta de realização de rigorosas avaliações de risco, tanto no caso das denominações comuns como das marcas registradas, antes da aprovação dos nomes para os produtos novos.
As informações acima são do programa da Organização Mundial de Saúde-OMS, denominado WHO Safety Patient, criado em outubro de 2004 por resolução de sua Assembleia Geral, que determinava aos seus Estados-Membros se preocuparem com a segurança do paciente.
A segurança do paciente tornou-se um problema de saúde pública mundial devido ao número cada vez maior de eventos adversos ou erros médicos e sanitários, produzidos pelo uso de procedimentos e técnicas sofisticadas e causados pela fértil tecnologia médica, cujo poder de controle pelos profissionais de saúde é cada vez menor.
O mais importante e mais grave problema relativo à segurança do paciente são os medicamentos, incluídos no principal grupo de erros cometidos durante a atenção à saúde.
As medidas sugeridas para diminuir os riscos de erros de medicação se relacionam com a exigência de receitas legíveis ou impressas eletronicamente; receitas que incluam tanto as marcas comerciais dos medicamentos como a sua denominação comum ou a sua composição química principal. 
Deve-se, ainda, evitar receitar medicamentos com nomes parecidos e se tal não for possível, ressaltar as instruções quanto ao uso; exigir a leitura da prescrição e esclarecer verbalmente as dúvidas do paciente, e recomendar ao paciente exigir a confirmação do medicamento pelo farmacêutico responsável.
Por outro lado, os sistemas de saúde devem implementar ações de treinamento e educação continuada dos profissionais prescritores sobre as técnicas corretas de medicação e os critérios de diminuição de riscos para a segurança do paciente.
Lamentavelmente, as empresas farmacêuticas prosseguem assediando os estudantes de medicina desde os primórdios de sua educação universitária e este assédio continua durante toda a vida do profissional, aproveitando-se muitas vezes de sua débil ou insuficiente formação técnica, mormente em farmacologia e posologia, fundamentais para uma boa conduta terapêutica medicamentosa.


Membro do Conselho Assessor Internacional da revista Acta Bioethica, OPAS/OMS (Chile) e Membro da Academia Mineira de Medicina

 

 

Medicamentos perigosos utilizados quotidianamente

 
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Em França, a Afssaps (o equivalente ao Infarmed) decidiu publicar uma lista de 77 medicamentos que se encontram sob vigilância por terem efeitos secundários graves e para os quais uma possível retirada do mercado está a ser encarada. Muitos desses medicamentos são utilizados diariamente em Portugal.

 
 
Este artigo não se destina a criar qualquer medo injustificado nos seus utilizadores, mas simplesmente informar. 
 

 
Convém lembrar, que qualquer medicamento tem efeitos secundários indesejáveis, o objectivo é avaliar se os benefícios compensam os riscos. Muitos destes medicamentos têm alternativas terapêuticas menos perigosas e outros não se justifica a sua toma por tratarem doenças benignas.


XENICAL e ALLI
 
Vendido na sua versão de 120 mg desde há 10 anos com o nome de Xenical, a mesma substancia (orlistato) é comercializada em venda livre com o nome de Alli doseada a 60 mg.
Esta substancia é usada na obesidade por diminuir a absorção digestiva das gorduras.
Os efeitos secundários mais frequente são as fezes oleosas e a diarreia por vezes com sangue. Existe a suspeita de poder aumentar o numero de fracturas ósseas e de ser responsável por raros casos de pancreatites e hepatites. Estes últimos casos estão na origem da sua vigilância a nível europeu.


CHAMPIX e ZYBAN

Comercializado desde 2007, é um medicamento utilizado nas pessoas que querem deixar de fumar.
É acusado de poder provocar perturbações psiquiátricas e conduzir a tentativas de suicídio. Logo após um ano de comercialização, foram referidos 174 efeitos secundários graves, dos quais 92 psiquiátricos.
Pouco utilizado, o Zyban tem os mesmos efeitos secundários. Na escolha de um medicamento para a cessação tabágica, é preferível usar um substituto da nicotina.


PROTELOS e OSSEOR


A substância activa destes medicamentos é o ranelato de estrôncio, foram colocados no mercado em 2006 para tratamento preventivo da osteoporose pós-menopausica.
O reforço da farmacovigilância actual deve-se ao facto de terem surgido várias reacções alérgicas ao medicamento, algumas das quais graves. Alterações do fígado e dos rins provocaram duas mortes. Nos casos referidos, o início dos sintomas apareceram entre 3 a 6 semanas após a toma do medicamento com erupção cutânea, febre, aumento do volume dos gânglios e aumento dos glóbulos branco que conduziram a alterações pulmonares, hepática e renais. Na maioria destes casos a situação voltou ao normal com a paragem do medicamento e corticoterapia.


ACTOS

 Este antidiabético oral, a pioglitazona, é uma molécula da mesma família que a rosiglitazona do AVANDIA que foi retirado do mercado em novembro do ano passado, por aumentar o risco de doenças cardiovasculars. O Actos é suspeito de aumentar o risco de cancro da bexiga. 


MINOCIN e MINOTREX

Este antibiótico, a minociclina, pertence à família das tetraciclinas e é usado no tratamento da acne e algumas infecções pulmonares e genitais. Foram detectados alguns efeitos secundários raros, mas graves, tais como hepatites, síndrome de Dress e algumas doenças auto-imunes.


PRIMALAN

Este medicamento destina-se ao tratamento sintomático das manifestações alérgicas como a rinite, conjuntivite ou urticária. Esta molécula, um anti-histamínico, a mequitazina, é utilizada desde há 30 anos, sobretudo nas crianças. Os efeitos secundários vão desde obstipação e sonolência até a possível ocorrência de convulsões. Após terem ocorrido alguns casos de alterações do ritmo cardíaco, este medicamente está sob farmacovigilância reforçada.


TRAMAL (Tramadol)

tramadol é um opiáceo com propriedades analgésicas. Um dos problemas é a possível dependência, sobretudo por utilização abusiva ou doses elevadas. Também foram assinaladas convulsões e hipoglicémias..


RITALINA 

Esta molécula, o metilfenidato, é utilizada, sobretudo nos Estados Unidos, para tratar as crianças com alterações da atenção ou hiperactividade. A molécula sendo uma anfetamina, cria frequentemente dependência. A sobredosagem pode provocar alterações cardiovasculares.


FOSAMAX (Ácido alendrónico), FOSAVANCE

Durante anos, o tratamento da menopausa, como os afrontamento e prevenção da osteoporose, passou pela medicação com hormonas, mas depois de se ter descoberto que estas aumentavam o risco de cancro da mama e de doenças cardíacas, estas foram praticamente abandonadas.
Apareceram então os bifosfonatos, dos quais o Fosamax, entre outros, faz parte. Casos de osteonecrose do maxilar explicam porque é que estes medicamentos estão a ser particularmente vigiados.


ROHYPNOL e STILNOX

Estes dois sedativos são dos mais populares do mercado e oRohypnol foi durante muito tempo um sedativos mais consumidos pelos toxicodependentes.
Dada a elevada dependência que podem provocar, necessitando um desmame bastante complexo, estas moléculas estão a ser alvo de vigilância apertada.
 
 
PARLODEL
 
É usado para inibir a lactação nas mulheres que após o parto não desejam amamentar e na doença de Parkinson. Este medicamento aumenta o risco de acidentes vasculares cerebrais e de enfarte nas jovens mulheres que acabaram de dar à luz.